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Postagens

#6 Cidas, Divas e Gabrieles

1980 Seu nome é Hilda. Lembro-me vagamente da sua fisionomia, entretanto, lembro-me bem do tártaro verde dos seus dentes... eu não tinha coragem de encarar o seu olhar. Forço mais a memória: cabelos escuros, meio crespos, estatura média, rechonchudinha. Raramente saía da sua mesa para vir até a minha. Dona de uma curta paciência, ela me amedrontava.  Eu não conseguia me fixar nos números, nas contas, nas tantas atividades a serem feitas. Então, eu era solicitada com uma certa frequência à sua mesa. Muda, cabeça baixa, conseguia apenas encarar o tártaro.  Meu medo foi se avolumando até eu não querer mais ir para a escola, o que levou minha mãe até lá, para tentar entender o que acontecia. Então, pela última vez, sou chamada à sua mesa. Ela me expressa uma preocupação fingida. Não me lembro das suas palavras, não me atrevo a encará-la, lembro-me apenas do verde tártaro. 1982 Seu nome é Cida, Maria Aparecida. Não me lembro muito bem da sua fisionomia. ...
Postagens recentes

A vida é movimento

Sabe quando você grifa um trecho de um livro que você está lendo, ou anota uma frase que ouviu em uma palestra ou pregação? Certa vez, viajando de avião, uma frase inscrita na capa das poltronas chamou a minha atenção: “Descubra se o futuro é cinzento mesmo, ou se é você que está de olhos fechados” Quando esse tipo de coisa acontece, vale a pena parar, e se perguntar por que aquilo chamou a sua atenção, por que te atraiu? Pode haver uma razão bem especial por trás desse interesse. Mas desta vez, não foi lendo um livro, ou ouvindo alguma preleção, que eu fui fisgada. Foi vendo uma cena de um episódio do The Good Doctor, aquela série que se dá predominantemente em um ambiente de hospital, e conta as histórias de Shaun Murphy, um jovem médico cirurgião com autismo. No episódio em questão, Shaun e sua esposa Lea estão curtindo aquela fase inicial de pai e mãe com Steve, seu bebezinho, e estão percebendo o quanto a chegada de uma criança altera a dinâmica da casa e do relacionamento. ...

A cruz vazia

A angústia bate à porta. Posso senti-la. Ela altera o meu humor e meu batimento cardíaco. Às vezes, ela leva ao choro, às vezes ao torpor. Ela é incômoda, como uma “persona non grata” . Eu tento ignorá-la. Eu tento negá-la. Mas ela insiste em ficar. Assisto a minha mente e coração virarem um campo de batalha. Esta é a angústia, ela é assim. Acaso algum ser humano nunca teve a sua companhia? ⚜️ Olho para o ser humano Jesus, observo as suas palavras: “Agora, minha alma está angustiada” (João12.27). Anteriormente, também havia sido dito: “Sentiu profunda indignação e grande angústia” (João 11.33). Então sinto aquela tentação de dizer: “Se até Jesus, por que não eu?” Mas a pretensa comparação não produz efeitos práticos. Efeitos práticos... como se houvesse uma fórmula mágica com o poder de tirar aqueles sentimentos mal quistos. Jesus ignora a fórmula mágica: “Acaso devo orar: Pai, salva-me dessa hora? Mas foi exatamente por esse motivo que eu vim!”. ...

Bom dia!

Sempre gostei de ouvir passarinhos cantando!!! Estou na praia com a minha família. Levantei cedo, vim para a varanda e sentei aqui, sozinha. Olhos fechados, ouvidos atentos. Então, ouço o som de uma goteira com seu barulhinho de água pingando, que denuncia a chuva noturna. Ouço pessoas acordando para o dia. Ouço um zumbido do ouvido, parceiro constante. Ouço meu filho brincando com a filha, minha netinha, no quarto ao lado. Mas a minha atenção se volta para o canto dos pássaros. O que eles tanto “falam”? Às vezes é um canto solitário; às vezes parece um diálogo: um “fala” e o outro “responde”. Às vezes é uma profusão de sons, uma verdadeira sinfonia. Todos cantam juntos em alto e bom som, vibrantes. Às vezes silenciam, e eu aguço ainda mais a minha atenção, na tentativa de ouvir outro canto, ao longe. Então, inesperadamente, dois pássaros voam baixo, ligeiros, cantando a plenos pulmões... lindo! Me pego sorrindo frente a esse espetáculo da natureza. Uma garo...

Mãos estendidas

 A vida com Deus, a vida em Cristo, são experiências que extrapolam a materialidade e a racionalidade humana. Não nos resta nada mais que mãos estendidas para acolher aquilo que nos vem como um presente.  Não há esforço humano, há apenas um Deus transcendente, majestoso e amoroso que deliberadamente se revela a nós, a cada dia .  Temos olhos para ver?  Humildade para aceitar? Ellen - 27/12/2025  Lendo a Bíblia em João 17.6, 26 - NVT “Eu revelei teu nome àqueles que me deste do mundo. Eles sempre foram teus. Tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra. (...)  Eu revelei teu nome a eles, e continuarei a fazê-lo. Então teu amor por mim estará neles, e eu estarei neles”. Clica aqui e ouça: 🎶 "... se revelou aos seus..."

#4 Minha melhor amiga

 Foi na formatura da filha Dudi. A festa é muito simbólica porque a Arquitetura sempre foi o sonho dela, desde muito pequena. Começou os estudos em Londrina, terminou em São Paulo, na Mackenzie. A festa é uma explosão de alegria com sabor de conquista e, ao mesmo tempo, de expectativas frente à futura carreira que a aguardava a partir daquele dia. A festa é contagiante, cheia de sons, de cores, de sabores e de amigos. Na mesa da família, a família, orgulhosa de tudo o que aquele momento representa. No salão, uma maravilhosa confusão de formandos e amigos indo e vindo, rindo e se abraçando, pura alegria. Dudi vem à nossa mesa, com aquele seu jeito de ser, toda expansiva e intensa, e nos apresenta a amiga recém-chegada: “Família, essa é minha melhor amiga!”. E, claro, a gente fica feliz em conhecer a sua melhor amiga. Alguns minutos se passam, e novamente ela vem à nossa mesa com outra amiga, e nos apresenta: “Família, essa é a minha melhor amiga!”.   O curioso é q...

O que resta de nós: ausência ou presença?

“Sempre pensei que fosse resistente a mudanças, sempre pensei que ‘minha casa’ fosse o lugar onde estivessem minhas lembranças e meus hábitos. Tomo consciência, agora, que ‘minha casa’ é onde estou. Nesse bairro, nessa rua, nesse prédio, nesse apartamento e nesse quarto, que me eram estranhos, encontrei um lar”. [1] Iris. Grifo esta frase em meu livro e, entre tantas outras, é ela que permanece, que me acompanha mesmo após eu ter terminado a leitura. “Tomo consciência, agora, que minha casa é onde estou” . A frase me intriga e eu quero entender o porquê. A história, sabemos, nos apresenta três personagens principais: Jeanne, que após a morte do seu amor, se sente desconectada da sua casa, do seu ateliê, daquele lugar que sempre foi “um lugar para chamar de seu”. Seu lar passa a ser as horas que ela passa junto ao túmulo de Pierre, contando-lhe os movimentos do seu dia. Theo é órfão. Mora em um abrigo para menores e, apesar dos desafios que enfrenta ali, ali é a sua casa, o l...

O monte

O lugar da solidão O lugar da escuta O lugar da transparência  O lugar do consolo O lugar do fortalecimento  O lugar do choro O lugar do riso O lugar do murmúrio  O lugar do sussurro O lugar do colo O lugar do encontro  O lugar de ser nutrido O lugar da conexão  O lugar do silêncio  "Jesus voltou ao Monte das Oliveiras..." E eu? Ellen, novembro de 2025. ⚜️ Lendo João 7 e 8 - Bíblia NVT  Ouça 🎶  Canção para Pedro - Vencedores por Cristo Foto: Oliveiras em Mendoza 03/2018