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Passos

A gente sempre quer chegar logo lá.  Mas é na caminhada que a gente se faz gente, se constrói e desconstrói e constrói novamente.  A gente cai e levanta. Aprende. Chora. Ri. Briga. Busca a paz.  A gente cresce, amadurece... e isso é o maior tesouro. Ellen Quintela Duarte  Foto: Passos.  Ellen e Guilherme no caminho, voltando do trabalho. 10jun2020

Sabedoria tem voz?

Vivemos tempos difíceis. Tantas coisas têm nos deixado perplexos e desorientados nos últimos dias, problemas de magnitude impensável até bem pouco tempo atrás. De repente, somos arrancados da “vida nossa de cada dia” e da nossa suposta segurança. De repente algumas certezas desmoronam e outras certezas surgem, como aquela que nos faz crer que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, tomando emprestada as palavras da canção. Ou a certeza de que em tempos de tantos excessos – de fake news, de acesso às mídias sociais, de ânimos exaltados, de polarização – precisamos urgentemente de sabedoria para sobreviver. Entretanto, tenho sempre a impressão de que nossas emoções e nossos sentimentos, não raro, guerreiam contra nossa pretendida sensatez; nossas paixões e nossas verdades colocadas muitas vezes acima das paixões e das verdades do outro, ofuscam o discernimento da realidade. Ah, sabedoria! Como eu preciso de você! Chego a ouvir a sua voz clamando: “...o que me...

#5 A escrita

Escrevo pra mim mesmo, faz parte da minha essência. O meu objetivo não é escrever para o outro, sequer há um objetivo assim, definido. Escrevo para expressar o que se passa na minha alma. É como quando a visão está embaçada e você foca o olhar para enxergar melhor. É isso o que a escrita faz comigo, ela me ajuda a me enxergar melhor. Escrevo para ordenar meu pensamento. É como quando um tornado tira tudo do lugar e tudo fica pelos ares e em caos, até que vem a calmaria, e tudo se assenta. É isso o que a escrita é para mim. Ela é a calmaria em meio ao caos de pensamentos velozes e muitas vezes desconexos. Ela é a minha quietude e solitude necessárias. Escrevo para fixar as coisas que eu aprendo na caminhada. Tenho essa necessidade de capturar em palavras as ideias e aprendizagens que me transformaram de alguma maneira. Já dizia Rubem Alves: "Tenho sempre comigo o meu caderno. Meu caderno é a minha gaiola de prender ideias. Porque as ideias são entidades fugidias, pássaros. ...

Sobre as promessas de Deus

(Dia de tirar texto do baú... 03/05/2015) Hoje, pela primeira vez neste ano, parei para ler a Bíblia. Ano insípido, sinto a estafa no meu corpo, na minha mente, nas minhas emoções. O fato de não conseguir ler a Bíblia, por desmotivação – e qualquer outro livro, é um sinal alarmante. De fato, ler, para mim, é como respirar. Mas abri a minha Bíblia pensando que eu deveria me forçar a leitura. Comecei a folhear o livro de Hebreus, lendo os textos grifados por mim, outrora. Me deparei com Hebreus 11. Em minha tentativa da leitura bíblica, prossegui no texto que, na sequência traz a galeria dos heróis da fé. Nesta altura, eu já estava envolvida, querendo ler mais das “figuras da fé” citadas. Um detalhe da narrativa me chamou a atenção, nos versículos 13 e 39. Lá está escrito respectivamente: “todos estes (Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara) morreram na fé, sem ter obtido as promessas”, e, “Ora, todos estes (Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sans...

2020: Vá, coloque um vigia.

Gosto de encerrar o ano avaliando o que se foi e sistematizando minhas intenções para o novo ciclo de 365 dias. Mas o fato é que chegou 31/12/2019 e eu não consegui pensar em nada. Chegou dia 1º e nada me ocorreu. Então finalizei a leitura do livro “Vá, coloque um vigia”, de Harper Lee, livro que ganhei do meu filho Guilherme, em meu aniversário. Finalizei a leitura tão absorta na narrativa, que imediatamente reiniciei sua leitura. De certa forma, me identifiquei com os conflitos de Jean Louise, personagem protagonista, e os enfrentamentos necessários pelos quais ela passou. O sábio e excêntrico tio Jack foi o facilitador no exercício de autoconhecimento da sobrinha: “A situação ficou suportável, Jean Louise, porque agora você é você... o vigia de cada um é a própria consciência” (pag. 239). “Vá, coloque um vigia” , me fez pensar sobre um despertar da consciência de mim mesma, desgrudada da consciência dos outros: pai, mãe, marido, filhos, amigos, convenções... Em outras p...

As boas escolhas que transformam nossa vida

Há exatamente um ano, tomei uma decisão muito consciente: vou fazer exercício físico regularmente. Faço parte daquele grupo de pessoas que não gosta de caminhar (nem na praia!), não gosta de academia e não gosta de praticar esportes. Mas após um longo período de desconstrução na minha vida, eu estava disposta a estabelecer novos objetivos e fazer novas escolhas que me impulsionassem para cima, e me fizessem sair daquela zona morna de conforto. A academia foi uma dessas escolhas. O treino funcional foi uma aposta no escuro, eu nem sabia direito do que se tratava. Mas o meu objetivo, esse sim, era muito definido: eu queria saúde e queria enfrentar a hipertensão com exercícios e boa alimentação.  Depois de seis meses, incorporei também a musculação em minha rotina de treino. Hoje, um ano depois, estou aqui para dizer que não, não é fácil, não é exatamente agradável e a academia com seu “tuch-tuch” ainda me incomoda um pouco. Mas, sim! Valeu e continua valendo...

As pequenas escolhas do dia a dia

Sou hipertensa Descobri alguns anos atrás em exames de rotina. Não tenho histórico na família, não tenho uma alimentação desregrada, não tenho excesso de peso e sou relativamente nova. Fiz diversos exames na época para investigar as causas possíveis, mas eles não revelaram nada.   Resumo da ópera: sou assim. Meu médico me passou duas prescrições: o uso contínuo de medicação e exercício físico. Hoje minha pressão arterial está controlada e tomo regularmente meu remédio. Mas o exercício físico...   Este eu sempre relutei, empurrei, procrastinei. Finalmente neste mês, novembro de 2018, bati o martelo, decidi encarar e sair da minha zona de conforto. Iniciei um treino funcional em uma academia próxima a minha casa. Tenho consciência que a escolha pelo exercício físico precisa ser diária ou, pelo menos, toda terça, quinta e sexta-feira (meus dias normais de treino). Ontem, véspera de feriado, um dia extremamente quente, saio do meu trabalho no final do dia e n...

Sim, eu tive depressão. Hoje tenho escolha, desafio e pressa.

Último dia do ano. Motivos para agradecer? Minha vida sem depressão! Agradeço constantemente a Deus! Um simples caminhar pela rua, da minha casa ao trabalho, de cabeça erguida, percebendo as cores e os movimentos ao meu redor, é motivo de satisfação e profundo agradecimento a Deus. As novas aprendizagens dos três últimos anos são tesouros inestimáveis. Tantas novas descobertas sobre mim mesma, algumas desconcertantes, mas necessárias. Um novo olhar sendo construído a respeito da vida, da família, da igreja, de Deus. Se por um lado todas as minhas estruturas foram abaladas, algumas desconstruídas mesmo – e esse é um processo doloroso, por outro lado, enseja-se o novo. O espetáculo da vida continua com um elemento inestimável que eu julgava ter perdido, mas que está aí, insinuando-se à véspera do novo ano: o desafio! Sou desafiada à reconstrução da fé em Deus, da autoestima, à afirmação dos princípios que me fazem ser quem eu sou, à autoafirmação como ser hu...