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Fases

Um dia, andando por uma rua perto da minha casa, eu vi um pé de boldo do Chile nas rachaduras de uma calçada. Sem hesitar abaixei, peguei um galhinho e o levei comigo. Já tinha planos para aquela mudinha: no meu trabalho, plantaria um pé de boldo em uma floreira na sacada. Fiz isso, e o boldo vingou, ficou bonito e frondoso. Mas depois de um tempo, eu percebi que alguns matinhos estavam crescendo junto e, então, passei a me cobrar mentalmente: preciso separar um tempo para tirar essas ervas daninhas! Pois imagine que, quando eu finalmente fui fazer esta limpeza, me deparei com uma florzinha linda e solitária, miúda e delicada, em meio às folhas. Um cabo longo e fino e ela ali, me atraindo com a sua beleza frágil. Peguei o meu celular e tirei várias fotos, de todos os ângulos, na tentativa de captar aquela beleza tão singela. Então, decidi deixar o matinho e sua linda florzinha viverem mais um pouco. Em poucos dias, ele cresceu ainda mais, expandiu seu caule e folhas por entre...

A&E

Londrina, 24 de março de 2023. Hoje eu te magoei. Fui tão insensível. Me perdoa. 30 anos é sobre isso também. --- Cornélio Procópio, 27 de março de 2023. Hoje eu só quero celebrar porque, há 30 anos atrás, decidimos caminhar com essa aliança em nosso anelar esquerdo. E eu ainda lembro da minha emoção quando, jovem recém-casada, olhava para a aliança em meu dedo, cheia de orgulho, e pensava: casada! Hoje eu quero celebrar.  Eu celebro nossas diferenças, porque elas nos fazem mais completos. E celebro nossas semelhanças, porque elas nos fazem próximos. Eu acolho com reverência o choro gerado nas tempestades da vida. Elas, de alguma forma, nos ensinaram e nos fizeram mais fortes.  Celebro nossos momentos de felicidade, de gargalhadas, de cumplicidade no olhar e de cumplicidade nas atitudes. Celebro o carinho mútuo, o cuidado com o outro, os sonhos que sonhamos juntos. Celebro a nossa caminhada, porque nela nós fomos nos construindo. "... é na caminhada que a gente se faz gente, s...

Conexão

Último dia do ano. Dia de reflexão. Me permito um corte. Minha reflexão não passa pelos tumultos políticos nacionais vividos, ou mesmo pelas novas e duras realidades suscitadas pela Covid-19 ao longo dos últimos anos. Não passa pela guerra Rússia-Ucrânia, não passa pela realidade de destruição constante das nossas matas e da riquíssima natureza que Deus nos deu. Não passa pela multiforme injustiça cometida diariamente. Não passa pela análise das grandes corrupções e pequenas corrupções. Sobre essas e tantas outras realidades, há tanto que se pensar, se dizer, se fazer, mas... não. Hoje tiro o dia para pensar em mim. O meu recorte sou eu. Neste ano, o meu corpo sentiu sobremaneira e de forma inédita, vários impactos de um corpo que naturalmente envelhece. A cabeça, que se sente jovem, impressiona-se com um corpo que nem sempre a acompanha. De fato, vislumbro a realidade, quando percebo a ruptura entre o que quero e o que posso fazer, fisicamente falando. Não que eu me sinta ...

Por quê? Por quê?

(Dia de tirar texto do baú!!!) Hoje, em minha meditação, fui tocada pelo texto: “Ensinai-me, e eu me calarei; dai-me a entender em que tenho errado.” [1] Me ocorre que eu posso enlouquecer tentando entender “o por quê” das coisas. Por que os filhos, muitas vezes, se afastam da fé, se somos diligentes no seu ensino; se este ensino é coerente; se sempre os apresentamos a Deus em oração; se sempre os confrontamos quando erram? Por que determinada oportunidade de negócio não dá certo, se buscamos sinceramente a orientação de Deus? Por que sofremos prejuízos financeiros se sempre agimos com lisura, com honestidade e retidão? Por que somos abatidos pela doença se temos uma vida regrada e uma alimentação saudável? Por que, às vezes, a tragédia nos atinge? Por quê? Às vezes me sinto como Jó, perguntando: “em que tenho errado”? Mas, tenho aprendido que o foco não deve ser esse. Concentrar a nossa atenção na tentativa de entender “o por quê” não é saudável. Veja: “Quase me...

En cas

Gosto de ler sobre sobre alimentação saudável. Uma alimentação que promova a saúde, e não a ruína do meu corpo. Certa vez, li um livro curioso sobre o estilo de vida das francesas. Leitura leve e interessante, focada  justamente na relação que existe entre aquilo que comemos e a nossa qualidade de vida, e como isso deve ser prazeroso e pacificador.  Dentre tantas coisas, a autora orienta a identificarmos alimentos agressores e fazermos substituições . E também nos aconselha, em caso de um ataque de fome ( en-cas ), sempre termos alguma coisa em mãos, algo que, ingerido, o corpo registre como uma refeição ligeira ( minirepas ), para calar os “pequenos demônios” ( petits démons ).  Por exemplo: ter por perto um pequeno saco com castanhas, pode ser não apenas um intimidador psicológico no caso de um ataque de vontades, como também um substituto capaz de refrear o ímpeto  da fome até o momento da refeição. Guarde isto:  En-cas... "no   caso de" . O interessan...

Escolhe, pois, a vida!

Dia de tirar texto do baú:   Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra que agora passas a possuí-la.  (...) Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a benção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, o teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade, para habitares na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.  (Deuteronômio 30.15, 16, 19, 20 – RA). Esta manhã este texto veio à minha mente em meio à reflexões sobre “escolhas”. Afinal, sempre temos diante de nós, invariavelmente, o benefício da escolha (e as consequênc...

“O porém”

Uma das lições que aprendi na terapia é perceber os meus sentimentos e questioná-los. Como quando fico irritada, mal-humorada e sem paciência com quem está próximo de mim (coitado do meu marido!). Então, faço uma pausa e converso comigo mesma: “Por que está irritada, ó minha alma?” – parafraseando o salmista. Vou puxando o fio da meada e, às vezes, me surpreendo com o que encontro. Quando descubro o motivo real, o ponto de partida, o elemento causador, o gatilho, então consigo ser mais realista, prática e, geralmente, mais efetiva no enfrentamento da questão. Hoje acordei querendo encontrar algo especial na minha Bíblia. Então pedi um texto à Deus pensando em uma amiga querida que está celebrando mais um ano de vida. Ei-lo: “Durante o dia, porém, o Senhor me derrama o seu amor, e à noite entoo seus cânticos e faço orações ao Deus que me dá vida” (Salmos 42.8).  “O Deus que me dá vida...”. De manhã o amor caindo como cascata sobre nós, e à noite, cânticos e orações ao Deus ...

Inevitável influência

“A mulher viu que a árvore era linda e que seu fruto parecia delicioso, e desejou a sabedoria que lhe daria.  Assim tomou do fruto e comeu. Depois, deu ao marido, que estava com ela, e ele também comeu.”  Gênesis 3.6 ________ Lendo Gênesis e pensando na questão da presença.   A simples presença.  O poder de estar presente.  A minha presença na relação com o outro.  A presença exerce uma influência que é inevitável - para o bem ou para o mal, positiva ou negativa, quer seja intencional, ou não. Mas, a partir do momento que eu tenho essa consciência, eu sigo mais cuidadosa, mais atenta, considerando o outro, e não  apenas a mim mesma. Sigo a vida vigilante: como a minha presença tem tocado quem está comigo? Ellen Foto: Pé de marmelo - Mendoza - Argentina Fotógrafa: euzinha!