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Escolhe, pois, a vida!

Dia de tirar texto do baú:

 Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra que agora passas a possuí-la. 

(...) Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a benção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, o teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade, para habitares na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.  (Deuteronômio 30.15, 16, 19, 20 – RA).

Esta manhã este texto veio à minha mente em meio à reflexões sobre “escolhas”. Afinal, sempre temos diante de nós, invariavelmente, o benefício da escolha (e as consequências da escolha!). 

Por isso o texto bíblico, na voz de Moisés, nos aconselha: escolhe, pois, a vida. E esta escolha está diretamente relacionada a uma escolha por Deus: amando o Senhor, o teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele. 

O texto bíblico também nos apresenta uma justificativa bastante convincente para esta escolha: para que vivas (...), pois disto depende a tua vida e a tua longevidade (...).

Estudando este texto na Bíblia de Genebra, sou levada, pelo comentarista, à Mateus 7.13, 14, que nos apresenta duas portas pela quais podemos entrar: a estreita e a larga.

Novamente, o texto bíblico, agora na voz do próprio Jesus, nos aconselha a escolher a porta estreita (e o caminho apertado) e com um argumento absolutamente convincente: a porta estreita conduz a vida, a porta larga (e o caminho espaçoso) nos conduz para a perdição.

Parece-me óbvio qual escolha tomar: a vida, a benção, a porta estreita, o caminho apertado que conduz a vida. Fácil, cognitivamente falando, desafiador, na cotidianidade.

Na realidade, a escolha pela vida precisa ser diária. Há uma música cuja letra diz: “eu escolho Cristo todo dia, já morri pra minha vida e agora eu vivo a vida de Deus” (1). É isso mesmo, precisa ser diária, intencional, deliberada porque os apelos da porta larga e do caminho espaçoso são sutis, persistentes e sedutores.

Recentemente, lendo um livro que ganhei de uma amiga querida, me deparei com o seguinte pensamento:

“...pensam que felicidade é ficar assentados num charco, onde os naufrágios são impossíveis. Pensam que felicidade é conforto. Sonham com a ‘terra da Cocanha’, a terra onde o vinho corre no leito dos rios, as paredes das casas são feitas de bolo, e os leitões e aves assados correm para a boca dos preguiçosos. Engordam, indolentes e estéreis, sob a sombra das árvores, incapazes de ficar grávidos e dar à luz. Jamais sobem as montanhas; jamais se arriscam pelos desertos; jamais navegam por mares desconhecidos.” (2)

Parece até que o texto descreve a “ideologia do presente século”, que nos induz a pensarmos que a verdadeira vida, ou a felicidade, como diz o texto, é sentirmos prazer sempre, fazermos tudo o que temos vontade ou termos nossas vontades sempre prontamente feitas, ter, ter, ter...

O contraponto é a porta estreita e o caminho apertado que, paradoxalmente, nos conduzem à vida, à felicidade. O comentarista bíblico alerta: “apresentar a vida cristã como um mar de rosas e minimizar o fato de que ela é cheia de problemas, não segue o exemplo do nosso Senhor.” (3) 

Pois bem, hoje (e a cada hoje que vivemos), Deus nos deixa livres para fazermos nossas escolhas, mas nos aconselha a vida.

O que vamos escolher?

#escolhaavida


Ellen Quintela Duarte

2013


____________

Tela: Luilekkerland - A Terra de Cockaigne, quadro de 1567 de Pieter Bruegel

(1)  Eu escolho Deus. Thales Roberto.

(2)  Variações sobre o prazer – Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette. Rubem Alves, p. 120.

(3)  Bíblia de Genebra - comentário sobre Mateus 7.14, p. 1240.


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