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Jardim de inverno

Recentemente li Jardim de Inverno , de Kristin Hannah,  o 4º livro dela que leio este ano. Gosto muito da sua escrita e dos temas que ela propõe.  Esta é a história das relações complexas entre uma mãe fria e distante, e suas filhas carentes da sua atenção e do seu carinho. As filhas crescem, todos seguem o seu caminho, conformados com a vida, até que algo acontece... É a história sobre seus medos velados e o poder que eles têm de ditar o curso de suas vidas. É a história da surpreendente mudança que ocorre quando é permitido um pequeno facho de luz sobre a crua e nua realidade da vida, fazendo com que a verdade e o medo, que estavam na profundeza, sejam trazidos à superfície e sejam enfrentados. O processo não é rápido e nem fácil, mas inevitável. É a história de um pai incansável em tentar aproximar mãe e filhas, pacientemente. É uma história de recomeços, "aos 45 minutos do segundo tempo”. A história intercala presente e passado, baseado em fatos históricos, e e...

Escuta ativa

Segunda-feira, 9 horas da manhã. Ainda estou envolta nos pensamentos que afloraram à mente nas horas mal dormidas da noite que se foi. Quando não se dorme, parece que todos os pensamentos nos assaltam. Mas agora, estou sentada à mesa, em meu trabalho. À frente, a tela do computador, ao lado as grandes janelas de vidro que me revelam a avenida movimentada. Dou um longo suspiro. Então algo chama a minha atenção! Um som. Olho para fora, e a paisagem é de postes, fios, carros, buzina, gente falando, enfim, os barulhos de um ordinário dia de semana... tão urbano! Mas algo me toca, uma melodia saltitante que me desperta e me move à sua procura. Olho de novo, e ali está ele, olhando para mim, cantando e estufando o seu peitinho. Sou tomada de enlevo. Fecho os olhos e escuto com os ouvidos e com o coração. Escuto Deus: “Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimentos em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos ...

As irmãs

A minha mente não consegue alcançar Deus, não consegue explicar Deus. Ela questiona, quer ver a lógica na existência de um Deus, que é o Deus criador, o Deus da Trindade, o Deus que está distante, mas que está perto... minha mente não alcança isso, questiona. Mas a fé que há em mim, acolhe esse Deus, e permite que esse Deus, cuja existência está além do nosso mundo natural, o Deus sobrenatural, me traga sentido de vida. Em Deus, então, tenho vida, vida plena, apesar da nossa incompletude de seres humanos. Aos questionamentos da minha mente eu digo: “Tudo bem, você é a mente sendo mente. Apenas respeite (e até aceite!) a presença da fé, sua irmã. E respeite aquela outra dimensão que ela traz... e que torna a vida tão bela, tão desafiadora”. Ellen - 12/02/2023 Sobre a foto Parte 1 - Houve um tempo em que haviam duplas de cuidado mútuo em nossa igreja. Minha mãe e a Maria Helena formavam uma destas duplas, e eu brincava: "Tudo bem, eu compartilho a minha mãe com você!"...

Fases

Um dia, andando por uma rua perto da minha casa, eu vi um pé de boldo do Chile nas rachaduras de uma calçada. Sem hesitar abaixei, peguei um galhinho e o levei comigo. Já tinha planos para aquela mudinha: no meu trabalho, plantaria um pé de boldo em uma floreira na sacada. Fiz isso, e o boldo vingou, ficou bonito e frondoso. Mas depois de um tempo, eu percebi que alguns matinhos estavam crescendo junto e, então, passei a me cobrar mentalmente: preciso separar um tempo para tirar essas ervas daninhas! Pois imagine que, quando eu finalmente fui fazer esta limpeza, me deparei com uma florzinha linda e solitária, miúda e delicada, em meio às folhas. Um cabo longo e fino e ela ali, me atraindo com a sua beleza frágil. Peguei o meu celular e tirei várias fotos, de todos os ângulos, na tentativa de captar aquela beleza tão singela. Então, decidi deixar o matinho e sua linda florzinha viverem mais um pouco. Em poucos dias, ele cresceu ainda mais, expandiu seu caule e folhas por entre...

A&E

Londrina, 24 de março de 2023. Hoje eu te magoei. Fui tão insensível. Me perdoa. 30 anos é sobre isso também. --- Cornélio Procópio, 27 de março de 2023. Hoje eu só quero celebrar porque, há 30 anos atrás, decidimos caminhar com essa aliança em nosso anelar esquerdo. E eu ainda lembro da minha emoção quando, jovem recém-casada, olhava para a aliança em meu dedo, cheia de orgulho, e pensava: casada! Hoje eu quero celebrar.  Eu celebro nossas diferenças, porque elas nos fazem mais completos. E celebro nossas semelhanças, porque elas nos fazem próximos. Eu acolho com reverência o choro gerado nas tempestades da vida. Elas, de alguma forma, nos ensinaram e nos fizeram mais fortes.  Celebro nossos momentos de felicidade, de gargalhadas, de cumplicidade no olhar e de cumplicidade nas atitudes. Celebro o carinho mútuo, o cuidado com o outro, os sonhos que sonhamos juntos. Celebro a nossa caminhada, porque nela nós fomos nos construindo. "... é na caminhada que a gente se faz gente, s...

Conexão

Último dia do ano. Dia de reflexão. Me permito um corte. Minha reflexão não passa pelos tumultos políticos nacionais vividos, ou mesmo pelas novas e duras realidades suscitadas pela Covid-19 ao longo dos últimos anos. Não passa pela guerra Rússia-Ucrânia, não passa pela realidade de destruição constante das nossas matas e da riquíssima natureza que Deus nos deu. Não passa pela multiforme injustiça cometida diariamente. Não passa pela análise das grandes corrupções e pequenas corrupções. Sobre essas e tantas outras realidades, há tanto que se pensar, se dizer, se fazer, mas... não. Hoje tiro o dia para pensar em mim. O meu recorte sou eu. Neste ano, o meu corpo sentiu sobremaneira e de forma inédita, vários impactos de um corpo que naturalmente envelhece. A cabeça, que se sente jovem, impressiona-se com um corpo que nem sempre a acompanha. De fato, vislumbro a realidade, quando percebo a ruptura entre o que quero e o que posso fazer, fisicamente falando. Não que eu me sinta ...

Por quê? Por quê?

(Dia de tirar texto do baú!!!) Hoje, em minha meditação, fui tocada pelo texto: “Ensinai-me, e eu me calarei; dai-me a entender em que tenho errado.” [1] Me ocorre que eu posso enlouquecer tentando entender “o por quê” das coisas. Por que os filhos, muitas vezes, se afastam da fé, se somos diligentes no seu ensino; se este ensino é coerente; se sempre os apresentamos a Deus em oração; se sempre os confrontamos quando erram? Por que determinada oportunidade de negócio não dá certo, se buscamos sinceramente a orientação de Deus? Por que sofremos prejuízos financeiros se sempre agimos com lisura, com honestidade e retidão? Por que somos abatidos pela doença se temos uma vida regrada e uma alimentação saudável? Por que, às vezes, a tragédia nos atinge? Por quê? Às vezes me sinto como Jó, perguntando: “em que tenho errado”? Mas, tenho aprendido que o foco não deve ser esse. Concentrar a nossa atenção na tentativa de entender “o por quê” não é saudável. Veja: “Quase me...

En cas

Gosto de ler sobre sobre alimentação saudável. Uma alimentação que promova a saúde, e não a ruína do meu corpo. Certa vez, li um livro curioso sobre o estilo de vida das francesas. Leitura leve e interessante, focada  justamente na relação que existe entre aquilo que comemos e a nossa qualidade de vida, e como isso deve ser prazeroso e pacificador.  Dentre tantas coisas, a autora orienta a identificarmos alimentos agressores e fazermos substituições . E também nos aconselha, em caso de um ataque de fome ( en-cas ), sempre termos alguma coisa em mãos, algo que, ingerido, o corpo registre como uma refeição ligeira ( minirepas ), para calar os “pequenos demônios” ( petits démons ).  Por exemplo: ter por perto um pequeno saco com castanhas, pode ser não apenas um intimidador psicológico no caso de um ataque de vontades, como também um substituto capaz de refrear o ímpeto  da fome até o momento da refeição. Guarde isto:  En-cas... "no   caso de" . O interessan...