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Jardim de inverno

Recentemente li Jardim de Inverno, de Kristin Hannah, o 4º livro dela que leio este ano. Gosto muito da sua escrita e dos temas que ela propõe. 

Esta é a história das relações complexas entre uma mãe fria e distante, e suas filhas carentes da sua atenção e do seu carinho. As filhas crescem, todos seguem o seu caminho, conformados com a vida, até que algo acontece...

É a história sobre seus medos velados e o poder que eles têm de ditar o curso de suas vidas.

É a história da surpreendente mudança que ocorre quando é permitido um pequeno facho de luz sobre a crua e nua realidade da vida, fazendo com que a verdade e o medo, que estavam na profundeza, sejam trazidos à superfície e sejam enfrentados. O processo não é rápido e nem fácil, mas inevitável.

É a história de um pai incansável em tentar aproximar mãe e filhas, pacientemente.

É uma história de recomeços, "aos 45 minutos do segundo tempo”.

A história intercala presente e passado, baseado em fatos históricos, e estimula muito a imaginação.

A leitura instigante e nos leva a sentimentos de empatia, antipatia, compaixão, crítica, sofrimento, riso, questionamento e reflexão. 

Vale conferir!

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Drops & insights

 

“Em momentos problemáticos, Meredith se ocupava, Nina tirava fotos e mamãe cozinhava.”

Durante uma vida quase toda, não houve enfrentamento. Afastar-se para uma zona de conforto foi, para as três, uma forma de sobrevivência emocional. Quem nunca?

“Para cumprir a promessa que fizera para o pai, Nina tinha que fazer mais que isso: precisava ver de verdade e ouvir de verdade. Cada palavra.”

(...)

“Mas era verdade; havia escutado as palavras durante anos e apenas as aceitara como vinham, sem questionar, sem nunca olhar mais profundamente. Talvez as crianças façam isso com as histórias de família. Quanto mais se ouve uma coisa, menos se questiona a veracidade dela.”

Quando Nina abraça a ideia do pai, e insiste que a mãe lhe conte novamente o conto de fadas que elas escutavam quando ainda eram crianças, o conto inteiro, as verdades começam lentamente vir à tona. E Nina, curiosa, começa a “ouvir de verdade”.

“O que mais gosto de fazer é cozinhar. Adoro a sensação de um fogo em uma noite fria. E... Ela fez uma pausa. Meredith percebeu que estava se inclinando para frente. - E... eu tenho medo de várias coisas. – Ela pegou o garfo e começou a comer.”

“Meredith recuou, impressionada. Era impossível imaginar a mãe com medo de coisa alguma, mas ainda assim ela revelara isso, então devia ser verdade. Ela queria perguntar: O que a deixa com medo? Mas não teve coragem.”

O enfrentamento começa quando a mãe admite, diante das filhas, que ela tem medos. Ela faz isso de forma econômica, inicialmente. Mas, ela se expõe!

 Adquirir consciência do medo, admitir e se expor - se necessário, abre um espaço para questionar a veracidade do medo. Porque o medo solto, ao léu, sem ser percebido e questionado, consome nossa energia e nos paralisa.

A dinâmica do enfrentamento é mais ou menos esta: eu pauso e saio da reação automática ao medo, admito que ele está ali, olho para ele, questiono sua veracidade e então, posso escolher entre ficar paralisada, ou me mover, agir.

Pode ser que o movimento seja de grande monta, ou sutil. Pode ser que nem sempre, ou pelo menos, não num primeiro momento, haja um resultado satisfatório do enfrentamento, mas o que realmente importa, é que houve movimento e o medo não me paralisou.

Olha para mim Meredith. Eu sou o que o medo faz com uma mulher. Você quer terminar como eu?

Sempre temos escolha. Ter a consciência do que eu quero e do que eu não quero, me leva ao movimento de direcionar a vida para aquilo que realmente importa, mesmo que o trajeto seja dolorido. 

#escolhaavida

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E para finalizar...  O que muitas vezes não entendemos e até criticamos em nossos pais, pode ser, talvez, reflexos de uma vida que nós não conhecemos e nem participamos. Quem sabe?

Eles foram bebês, crianças, adolescentes, tiveram amigos, pais, experiências boas ou não, afetos e desafetos. Tiveram vazios não preenchidos? Alegrias? Sofrimentos? Os conhecemos de fato? Consideramos sua história antes de nós, ou por nós? 

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Bora ler?

Ellen Quintela Duarte

 Outubro 2023




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