Vivemos tempos difíceis.
Tantas
coisas têm nos deixado perplexos e desorientados nos últimos dias, problemas de
magnitude impensável até bem pouco tempo atrás.
De repente,
somos arrancados da “vida nossa de cada dia” e da nossa suposta segurança. De
repente algumas certezas desmoronam e outras certezas surgem, como aquela que
nos faz crer que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”,
tomando emprestada as palavras da canção.
Ou a
certeza de que em tempos de tantos excessos – de fake news, de acesso às mídias
sociais, de ânimos exaltados, de polarização – precisamos urgentemente de
sabedoria para sobreviver.
Entretanto,
tenho sempre a impressão de que nossas emoções e nossos sentimentos, não raro, guerreiam contra nossa pretendida sensatez; nossas paixões e nossas verdades
colocadas muitas vezes acima das paixões e das verdades do outro, ofuscam o
discernimento da realidade.
Ah,
sabedoria! Como eu preciso de você! Chego a ouvir a sua voz clamando: “...o que
me der ouvidos habitará seguro, tranquilo, e sem temor do mal”, Provérbios
1.33.
É exatamente neste contexto que me deparo com Provérbios 2, mais precisamente com a frase: “...para fazer atento o teu ouvido à sabedoria...”.
Duas ideias chamaram a minha atenção:
A primeira
é que eu tenho que reeducar o meu ouvido, “fazer ele atento”, vigiar para que
nenhuma realidade que me toca, passe despercebida. “Fazer o ouvido atento à
sabedoria” é o contrário de “empurrar a vida com a barriga”, é “entrar na cena
da vida”, “pegar o trem da história”, se situar.
Sim, a
sabedoria tem voz e ela clama, grita na rua, nas praças, no alto dos muros, nas
cidades, no meio do povo (Provérbios 1.20, 21). A pergunta que me faço é: estou
conseguindo ouvir a sabedoria?
A outra
ideia, é que pra eu conseguir ouvir a voz da sabedoria, eu tenho que fazer silêncio. Eu tenho que fechar a boca, tenho que calar
o burburinho dos meus pensamentos – que são muitos e velozes, preciso desacelerar
a mente, porque, quando eu me livro dos ruídos, eu consigo ouvir com mais
clareza. Eu crio o terreno fértil à atenção plena.
Então, a pergunta que me faço é: tenho procurado entender minhas emoções e sentimentos para que possa acalmá-los, evitando que dominem os meus pensamentos e as minhas ações?
Silêncio! A Sabedoria está falando! Estou ouvindo?
Ellen Quintela Duarte
Londrina, 04 de maio de 2020, em meio à pandemia do Covid-19.
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| Grita na rua a Sabedoria, nas praças levanta a voz; do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras. Pv 1, 20, 21 |

Muito sábio o seu artigo. Sou muito agraciada com a sua sensatez, amiga. Bj.
ResponderExcluirLindo texto! Precisamos, vamos refletir...
ResponderExcluirSim! E vamos "trocando figurinhas", combinado? ❤️
ExcluirVc escutou a voz da Sabedoria em tempos tão difíceis como vc descreveu. Obrigada pelo seu silêncio e por compartilhar com a gente. 💜
ResponderExcluir❤️🌷
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