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Confissões

Sou uma mulher de 49 anos.

Para ser mais precisa, estou a três meses de completar cinquenta anos.

Se por um lado me surpreendo (Uau! Cinquenta anos! O tempo passou tão depressa!), por outro lado, me olho no espelho e uma onda de gratidão invade a minha alma. Não que minha vida até aqui tenha sido um mar de rosas; não que eu tenha alcançado todos os meus sonhos; não que minhas expectativas todas tenham se cumprido; não que eu não sinta no corpo os efeitos do tempo.

Quando do alto dos meus trinta e poucos anos meu oftalmologista me alertou que a partir dos meus quarenta anos talvez eu começasse a sentir necessidade de usar óculos, eu respondi: “Ok!”. Mas lá no fundinho, eu pensei: “A tá! Capaz! Tenho cem por cento de visão!”.  Entretanto, hoje confesso: no ano em que completei exatos quarenta anos, fiz meus primeiros óculos.

E quando eu publiquei uma foto minha no Instagram, com alguns cabelinhos brancos à mostra e perguntei: “Branquinhos chegando! Eles ficam, ou sumo com eles?”, a maioria das respostas foi: “Some com eles! ”. Mas, sigo com eles. Assumo os brancos da mesma forma que eu assumi os óculos.

Tudo bem, confesso que eu fiquei impressionada quando descobri que era hipertensa e confesso que eu demorei dois anos para começar a fazer atividade física, uma das prescrições do meu cardiologista. Também confesso que estou impressionada com as ondas recentes de calor que me acometem - de alguma forma eu achava que nunca passaria por isso.

Mas ratifico: a gratidão brota no coração quando olho para o espelho e vejo minha imagem refletida, com todas as nuances que me compõe.  A imagem refletida me aponta para tudo o que já vivi e aprendi nas tempestades e nas calmarias da vida, e traz à tona tudo o eu ainda tenho para viver.

E quando compreendo que o envelhecer faz parte do viver, acolho os seus desafios e suas novas realidades com serenidade, e assim prossigo! 

 Ellen - Agosto 2020


Texto produzido como exercício no curso Escrita criativa e afetuosa - Ana Holanda



Comentários

  1. Nada melhor do que viver a vida como ela é, e não como gostaria que ela fosse. É um saber viver. Facilita muito as coisas, sofrimentos sem necessidade, aspirações que não são reais.
    Que Deus faça você sempre sábia.

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