Último dia do ano.
Dia de reflexão.
Me permito um corte.
Minha reflexão não passa pelos tumultos políticos nacionais
vividos, ou mesmo pelas novas e duras realidades suscitadas pela Covid-19 ao
longo dos últimos anos. Não passa pela guerra Rússia-Ucrânia, não passa pela realidade
de destruição constante das nossas matas e da riquíssima natureza que Deus nos
deu. Não passa pela multiforme injustiça cometida diariamente. Não passa pela
análise das grandes corrupções e pequenas corrupções.
Sobre essas e tantas outras realidades, há tanto que se
pensar, se dizer, se fazer, mas... não. Hoje tiro o dia para pensar em mim. O
meu recorte sou eu.
Neste ano, o meu corpo sentiu sobremaneira e de forma
inédita, vários impactos de um corpo que naturalmente envelhece. A cabeça, que
se sente jovem, impressiona-se com um corpo que nem sempre a acompanha. De
fato, vislumbro a realidade, quando percebo a ruptura entre o que
quero e o que posso fazer, fisicamente falando.
Não que eu me sinta velha, pelo contrário, não quero perder
nunca a leveza do ser. Nem que eu tenha receio de envelhecer, de adentrar
nestes novos horizontes onde a vitalidade já não é tão vibrante. Eu acolho a
“marcha inexorável do tempo”[2]
com muita tranquilidade.
Mas ainda assim, preciso encarar os novos desafios e novas
condições que a vida impõe: uma fadiga que antes não existia, dores localizadas
que prenunciam um desgaste que é esperado, ou até mesmo uma queda de energia
que, às vezes, chega a ser desconcertante.
Estas e tantas outras questões físicas e emocionais exigiram
e continuam exigindo adaptações de ritmo e de realizações, e cuidados mais
intencionais e intensivos. Novas aprendizagens.
É assim. Somos eternos aprendizes.
Quando a gente chega num ponto onde pretensamente pensamos
que sabemos tudo e que temos o controle de tudo, a vida vem e diz: “Não. Agora
você deve vir por aqui.”
Existe beleza na dificuldade, no obstáculo, nos recuos, naquela
pedra no meio do caminho? Se sim, onde exatamente está? Onde reside?
Primeiro, sim! Ela existe! Mas ela se esconde, e a gente
precisa procurar, como naquela brincadeira da nossa infância: esconde-esconde[3].
E na brincadeira, quando a gente achava, a gente gritava: “Achei!”. É assim,
brincadeira de criança, um desafio que move a busca.
Os novos desafios na minha vida, não raro, tem me levado a
olhar outras direções, a descobrir outras realidades, novas soluções, novos
mundos. Às vezes o infortúnio nos joga para um novo lugar que, sem ele, jamais
chegaríamos. É como o grão de trigo que, caindo na terra tem que morrer, para produzir
novos e muitos frutos. A beleza se esconde nessas dinâmicas da vida.
Posso ficar sentada no sofá da minha sala reclamando das
dores, do sofrimento, e até reclamar das pessoas, ou escolher outro rumo. A
escolha é um presente que temos nas mãos!
Viktor Frankl, um célebre sobrevivente dos campos nazistas
de concentração, na Segunda Guerra Mundial, nos aponta para essa capacidade de “assumir
uma atitude alternativa frente às condições dadas”.[4]
Caminho rumo a 2023 com a escolha de viver a vida com o que
ela me apresenta, buscando alternativas novas e novos sentidos, ou sustentando
antigos sentidos importantes e referenciais, ou mesmo, ressignificando.
Me despeço de 2022 com gratidão por todas as novas direções
que me apontou e as experiências que me proporcionou. Comecei a conhecer o
incrível universo dos óleos essenciais, da nutrição funcional, da ioga, um
aprofundamento da meditação cristã e uma conexão muito grande e prazerosa com a
natureza e sua exuberância... como ela me revela Deus!
Li livros que ajudaram a expandir minha consciência e minha
compreensão de mim mesma e de tudo o que me cerca. Como sou grata a Deus por
eles.
Conheci novas pessoas que me expandiram com o universo de suas
vidas; me reconectei com velhas amigas, e isso me trouxe contentamento. Cultivei
as amizades que me são caras.
Deixei coisas para trás, que precisavam ser deixadas,
bagagens pesadas, como diria Cora Coralina. Aos poucos me desapeguei de
sistemas de pensamentos que foram perdendo sentido, ou conjuntos de regras que
me sufocavam. E continuo em processo.
Há beleza nessa dinâmica, nesse movimento de deixar ir, mas,
ao mesmo tempo, de deixar vir, e de acolhimento da vida como ela é.
Escolho “conexão” como minha diretriz e meu desafio para o
novo ano.
Conexão comigo. Com Deus e sua natureza. Escolho estar
presente na vida do meu marido e meus filhos, com minha família. Com amigos e com o
próximo.
Que venha 2023.
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Minha eterna gratidão a Deus... não consigo explicá-lo e, no entanto, não consigo viver sem ele.
A Ele, toda honra, toda glória, todo
louvor.
31/12/2022

Amo estar com você minha amiga irmã . Hoje posso estar em conexão com o que você escreve , e como aprecio isso ! E nesta contemplação , meditoracao, que temos conhecido, Corramos em direção ao nosso alvo , Cristo ! 💝💝💝
ResponderExcluirSim! 😍
ExcluirComo me identifiquei com sua reflexão amiga! Como sempre vc me pega com suas sábias e vem colocadas palavras!! Que venha 2023 minha cara!!!
ResponderExcluirVamo que vamo Lelê! ❤
ExcluirGostei da reflexão. Vamos continuar conectadas em 2023. Amo você❤️
ResponderExcluirSempre! 🌷❤️
ExcluirObrigada por me representar nesse texto rico em detalhes sobre o que somos hoje...Você sempre sendo você.❤
ResponderExcluirEstamos conectadas! ❤️🌷
ExcluirSeu texto fala do envelhecimento de uma forma muito madura, da forma como temos que encara-lo e, como vc disse, desejá-lo. Vivê-lo! Obrigada, amiga por se conectar comigo.
ResponderExcluirSim! Conectadas 🤗🤗
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