Pular para o conteúdo principal

O Jardim Secreto

Amei ler "O Jardim Secreto". Tem livros que conversam tanto comigo!

Mary e Dickon não queriam um "jardim de jardineiro", eles queriam um jardim cuidado, mas livre, natural.


De certa forma, sinto a vida assim. Não é toda arrumada e toda aparada,  não é toda perfeita. Mas é a vida. Talvez nisto resida sua beleza.


O meu corpo, os meus textos, os meus amores, a minha casa, a minha família, os meus bolos, o meu trabalho, os meus treinos, os meus intentos, os meus pensamentos, o meu canto, as minhas palavras, as minhas ações, as minhas reações... não, não são perfeitos. Mas me refletem, tudo isso sou eu. Um belo jardim crescendo e se balançando, cuidado e regado.


"Ele começou a caminhar por toda parte, erguendo os olhos para as árvores, para os muros e para os arbustos, com uma expressão pensativa. 


─ Não acho que queira fazê-lo parecê um jardim de jardineiro, todo aparado e bem arrumado, não é? ─ disse ele.  ─ É mais bonito como este, com as plantas crescendo ao acaso, se balançando e se agarrando umas às outras. 


─ Não vamos deixá-lo arrumado. ─ disse Mary preocupada.  ─ Não pareceria um jardim secreto, se ficasse arrumado. 


Dickon ficou esfregando a cabeça coberta de cabelos vermelhos como a ferrugem, com um olhar um tanto perplexo. ─ É um jardim secreto, com toda a certeza. ─ disse ele."


O Jardim Secreto", de Frances Hodgson Burnett, escrito em 1911.


Ellen

Maio 2022


PS: Jardim da mamis 🌷🫶

Comentários

  1. “Eu quero ser como um jardim secreto “… regado e cuidado pelo Teu Espírito . …🎶 Ahhh me imaginei assim … amei este lugar tão único para cada um ….

    ResponderExcluir
  2. Estou começando a me deixar levar pelo vento, e tem sido bom. Tem sido melhor que o jardim do jardim do jardineiro, todo arrumadinho e que me exigia tanto.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Olá, querida

Olá, querida! Não. Não me refiro a uma saudação. Refiro-me ao livro de Ann Napolitano, “Olá, querida”. Foi a nossa proposta de leitura do Clube do Livro este mês. Devorei a leitura, como sempre, quando um livro me envolve e me joga para dentro das suas páginas. Agora, orfã da leitura e com saudade das personagens, fui procurar o filme Adoráveis mulheres, baseado no livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, publicado em 1868. Isto porque no Olá, querida, as irmãs Padavano têm nas irmãs de Mulherzinhas uma referência, uma bússola existencial delas próprias. Então pensei: vou ler Mulherzinhas também. E comecei, mas desisti. Desisti não porque não tenha gostado do livro, mas porque senti que estava ficando saturada do universo das personagens, e eu não queria isso. Resolvi me afastar. Mas ainda havia muito tempo para o próximo encontro do clube, então pensei: o que faço enquanto isso? O que vou ler agora? Abri meu Kindle e escolhi aleatoriamente Machado de Assis: Helena, Pu...

Escuta ativa

Segunda-feira, 9 horas da manhã. Ainda estou envolta nos pensamentos que afloraram à mente nas horas mal dormidas da noite que se foi. Quando não se dorme, parece que todos os pensamentos nos assaltam. Mas agora, estou sentada à mesa, em meu trabalho. À frente, a tela do computador, ao lado as grandes janelas de vidro que me revelam a avenida movimentada. Dou um longo suspiro. Então algo chama a minha atenção! Um som. Olho para fora, e a paisagem é de postes, fios, carros, buzina, gente falando, enfim, os barulhos de um ordinário dia de semana... tão urbano! Mas algo me toca, uma melodia saltitante que me desperta e me move à sua procura. Olho de novo, e ali está ele, olhando para mim, cantando e estufando o seu peitinho. Sou tomada de enlevo. Fecho os olhos e escuto com os ouvidos e com o coração. Escuto Deus: “Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimentos em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos ...