Faz parte eu acordar preguiçosa, curtir a cama e auto celebrar um dia que é meu.
Faz parte eu ser abraçada pelo meu marido, sussurrando no meu ouvido: "Feliz aniversário, meu amor".
Faz parte a expectativa do abraço dos meus filhos, da minha família.
Faz parte eu passar o dia pensando naquele momento, à noite, em que reunimos a família, simplesmente a família, para comer esfirras e quibinhos do kiberama, e partirmos um bolo depois.
Faz parte eu me permitir ficar meio a toa durante o dia.
Faz parte eu checar os parabéns no Instagram e nos grupos de WhatsApp.
Faz parte postar um story falando do meu dia.
Faz parte eu curtir calma, serena e silenciosa - ao melhor "estilo Ellen de ser".
Mas esse ano foi diferente.
25 de novembro
23h30.
Somos surpreendidos: a bolsa da Gigi estourou! Meu netinho, que ia chegar apenas em 8 de dezembro, ao que parece, resolveu se impor.
Partimos imediatamente para a casa dos nossos filhos ajudar a arrumar a mala, ajudar a cuidar da Laura, ajudar Gigi, ajudar Gui...
Finalmente eles partem para o hospital, e nós partimos para nossa casa, com Laurinha.
26 de novembro
3h05 da madrugada, o filho Gui manda mensagem: "Parece que vem agora!"
3h16: "Tá vindo!"
3h35, recebo a foto do Nicolas!
Laurinha dorme em minha cama, e em minha cama, meus olhos se enchem de lágrimas... milagre da vida!
27 de novembro
Ontem fui barrada de visitar meu netinho no hospital, o número de visitas havia excedido.
Mas hoje é o dia!
Laurinha, está com o vovô e vovó pega o Nico nos braços, o filho do meu filho.
Esse é um daqueles momentos que a gente coleciona com muito cuidado, guarda no coração e que nos aquece pela simples lembrança.
28 de novembro
Dia de alta.
Dia de aniversário.
Mas esse ano foi diferente!
Amanhece, estou cansada, os dias anteriores foram intensos.
Um café da manhã maravilhoso preparado pelo meu amor me aguarda, é um alento, um mimo singelo e significativo.
Laurinha, acorda mais tarde.
O dia é puxado no Home Office.
No dia do meu aniversário, estou completamente ocupada, sem tempo para mim, sem palavras escritas, sem preguicinha na cama, sem saber se ia ter o momento do bolo, sem tempo de ver o Instagram, sem tempo de parar e curtir o meu silêncio.
Por um instante, sinto uma pontada de frustração: "Meu aniversário, mas nem parece".
Olho para Laura, feliz, brincando e "falando" sem parar, e então sou atingida por um raio de lucidez!
Percebo a magnitude da vida, a potência do momento presente, que é o meu maior presente de aniversário: meus netos, minha família e o privilégio que tenho de degustar tudo isso, a bênção de poder ser suporte neste momento.
20h
Estamos na casa do Gui.
Laurinha, vê o irmãozinho pela primeira vez. Foi lindo, foi emocionante.
Tem esfirras e quibinhos do kiberama, tem bolo de aniversário, e tem uma mulher de 55 anos feliz e que, neste exato momento, consegue sentar para buscar em si essas palavras que expressam a sua alegria e a sua gratidão.
Ellen 05/12/2025.

Amei o texto, amiga! Sensível e profundo, como você. 😘 Vanessa
ResponderExcluirObrigada, amiga querida! 🤗
ExcluirO texto é lindo, e fica ainda melhor na sua própria narração! Que privilégio reviver esses dias emocionantes pelos seus olhos 🫶🏻
ResponderExcluirGigi! ❤️❤️❤️
ExcluirQue maravilha comemorar a vida em toda a sua plenitude. Novos momentos, nova geração, frutos abençoados pelo Senhor Deus. Amei o texto.
ResponderExcluirE eu amo vc por aqui!
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