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Postagens

A percepção da sombra

A Bíblia é um excelente livro para meditação (comentava isso outro dia com a querida Mari Faleiros). Ao mesmo tempo que nos deparamos com textos difíceis, que demandam um conhecimento do contexto histórico, das figuras de linguagem próprias da cultura da época, às vezes de uma pesquisa em diversas traduções da Bíblia, para que se compreenda com mais  profundidade, o fato é que ela é riquíssima, um vasto campo para nos recolhermos, para aquietar a alma e para receber aquele alimento invisível que vai nos sustentar o dia todo. Pois foi assim hoje. Estamos em uma semana de muita chuva, com um friozinho gostoso, e sair de manhã da cama para ir trabalhar é realmente uma batalha.  Então, ainda deitada, comecei a recitar mentalmente alguns textos bíblicos para ver se despertava a minha mente, os meus olhos, o meu corpo: “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem, ...

Confissões

Sou uma mulher de 49 anos. Para ser mais precisa, estou a três meses de completar cinquenta anos. Se por um lado me surpreendo (Uau! Cinquenta anos! O tempo passou tão depressa!), por outro lado, me olho no espelho e uma onda de gratidão invade a minha alma. Não que minha vida até aqui tenha sido um mar de rosas; não que eu tenha alcançado todos os meus sonhos; não que minhas expectativas todas tenham se cumprido; não que eu não sinta no corpo os efeitos do tempo. Quando do alto dos meus trinta e poucos anos meu oftalmologista me alertou que a partir dos meus quarenta anos talvez eu começasse a sentir necessidade de usar óculos, eu respondi: “Ok!”. Mas lá no fundinho, eu pensei: “A tá! Capaz! Tenho cem por cento de visão!”.  Entretanto, hoje confesso: no ano em que completei exatos quarenta anos, fiz meus primeiros óculos. E quando eu publiquei uma foto minha no Instagram, com alguns cabelinhos brancos à mostra e perguntei: “Branquinhos chegando! Eles ficam, ou sumo com ele...

"Pra onde tenha sol, é pra lá que vou..."

Toda manhã a cena se repete.  Acordamos, meu marido levanta primeiro e coloca a ração da Sophie. Nossa gatinha come e vai no banheirinho dela.  Em instantes volta pro nosso quarto e  fica rodeando, procurando seu lugarzinho ao sol.  Só sossega quando eu libero a cama para ela e, então, aninha-se sob os raios solares. Ali  se aquece. Relaxa. Descansa. Curte o momento. Toma o seu banho de lambidas. Cochila feliz. A cena bem que pode ser uma metáfora da nossa procura pelo Pai, logo de manhã. Levantamos e já buscamos a luz da sua presença que nos aquece e nos refaz. Nele descansamos e banhamos a nossa alma. Nele somos felizes. João 1.9 Ellen

Passos

A gente sempre quer chegar logo lá.  Mas é na caminhada que a gente se faz gente, se constrói e desconstrói e constrói novamente.  A gente cai e levanta. Aprende. Chora. Ri. Briga. Busca a paz.  A gente cresce, amadurece... e isso é o maior tesouro. Ellen Quintela Duarte  Foto: Passos.  Ellen e Guilherme no caminho, voltando do trabalho. 10jun2020

Sabedoria tem voz?

Vivemos tempos difíceis. Tantas coisas têm nos deixado perplexos e desorientados nos últimos dias, problemas de magnitude impensável até bem pouco tempo atrás. De repente, somos arrancados da “vida nossa de cada dia” e da nossa suposta segurança. De repente algumas certezas desmoronam e outras certezas surgem, como aquela que nos faz crer que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, tomando emprestada as palavras da canção. Ou a certeza de que em tempos de tantos excessos – de fake news, de acesso às mídias sociais, de ânimos exaltados, de polarização – precisamos urgentemente de sabedoria para sobreviver. Entretanto, tenho sempre a impressão de que nossas emoções e nossos sentimentos, não raro, guerreiam contra nossa pretendida sensatez; nossas paixões e nossas verdades colocadas muitas vezes acima das paixões e das verdades do outro, ofuscam o discernimento da realidade. Ah, sabedoria! Como eu preciso de você! Chego a ouvir a sua voz clamando: “...o que me...

#5 A escrita

Escrevo pra mim mesmo, faz parte da minha essência. O meu objetivo não é escrever para o outro, sequer há um objetivo assim, definido. Escrevo para expressar o que se passa na minha alma. É como quando a visão está embaçada e você foca o olhar para enxergar melhor. É isso o que a escrita faz comigo, ela me ajuda a me enxergar melhor. Escrevo para ordenar meu pensamento. É como quando um tornado tira tudo do lugar e tudo fica pelos ares e em caos, até que vem a calmaria, e tudo se assenta. É isso o que a escrita é para mim. Ela é a calmaria em meio ao caos de pensamentos velozes e muitas vezes desconexos. Ela é a minha quietude e solitude necessárias. Escrevo para fixar as coisas que eu aprendo na caminhada. Tenho essa necessidade de capturar em palavras as ideias e aprendizagens que me transformaram de alguma maneira. Já dizia Rubem Alves: "Tenho sempre comigo o meu caderno. Meu caderno é a minha gaiola de prender ideias. Porque as ideias são entidades fugidias, pássaros. ...

Sobre as promessas de Deus

(Dia de tirar texto do baú... 03/05/2015) Hoje, pela primeira vez neste ano, parei para ler a Bíblia. Ano insípido, sinto a estafa no meu corpo, na minha mente, nas minhas emoções. O fato de não conseguir ler a Bíblia, por desmotivação – e qualquer outro livro, é um sinal alarmante. De fato, ler, para mim, é como respirar. Mas abri a minha Bíblia pensando que eu deveria me forçar a leitura. Comecei a folhear o livro de Hebreus, lendo os textos grifados por mim, outrora. Me deparei com Hebreus 11. Em minha tentativa da leitura bíblica, prossegui no texto que, na sequência traz a galeria dos heróis da fé. Nesta altura, eu já estava envolvida, querendo ler mais das “figuras da fé” citadas. Um detalhe da narrativa me chamou a atenção, nos versículos 13 e 39. Lá está escrito respectivamente: “todos estes (Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara) morreram na fé, sem ter obtido as promessas”, e, “Ora, todos estes (Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sans...

2020: Vá, coloque um vigia.

Gosto de encerrar o ano avaliando o que se foi e sistematizando minhas intenções para o novo ciclo de 365 dias. Mas o fato é que chegou 31/12/2019 e eu não consegui pensar em nada. Chegou dia 1º e nada me ocorreu. Então finalizei a leitura do livro “Vá, coloque um vigia”, de Harper Lee, livro que ganhei do meu filho Guilherme, em meu aniversário. Finalizei a leitura tão absorta na narrativa, que imediatamente reiniciei sua leitura. De certa forma, me identifiquei com os conflitos de Jean Louise, personagem protagonista, e os enfrentamentos necessários pelos quais ela passou. O sábio e excêntrico tio Jack foi o facilitador no exercício de autoconhecimento da sobrinha: “A situação ficou suportável, Jean Louise, porque agora você é você... o vigia de cada um é a própria consciência” (pag. 239). “Vá, coloque um vigia” , me fez pensar sobre um despertar da consciência de mim mesma, desgrudada da consciência dos outros: pai, mãe, marido, filhos, amigos, convenções... Em outras p...