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O que resta de nós: ausência ou presença?

“Sempre pensei que fosse resistente a mudanças, sempre pensei que ‘minha casa’ fosse o lugar onde estivessem minhas lembranças e meus hábitos. Tomo consciência, agora, que ‘minha casa’ é onde estou. Nesse bairro, nessa rua, nesse prédio, nesse apartamento e nesse quarto, que me eram estranhos, encontrei um lar”. [1] Iris. Grifo esta frase em meu livro e, entre tantas outras, é ela que permanece, que me acompanha mesmo após eu ter terminado a leitura. “Tomo consciência, agora, que minha casa é onde estou” . A frase me intriga e eu quero entender o porquê. A história, sabemos, nos apresenta três personagens principais: Jeanne, que após a morte do seu amor, se sente desconectada da sua casa, do seu ateliê, daquele lugar que sempre foi “um lugar para chamar de seu”. Seu lar passa a ser as horas que ela passa junto ao túmulo de Pierre, contando-lhe os movimentos do seu dia. Theo é órfão. Mora em um abrigo para menores e, apesar dos desafios que enfrenta ali, ali é a sua casa, o l...

O monte

O lugar da solidão O lugar da escuta O lugar da transparência  O lugar do consolo O lugar do fortalecimento  O lugar do choro O lugar do riso O lugar do murmúrio  O lugar do sussurro O lugar do colo O lugar do encontro  O lugar de ser nutrido O lugar da conexão  O lugar do silêncio  "Jesus voltou ao Monte das Oliveiras..." E eu? Ellen, novembro de 2025. ⚜️ Lendo João 7 e 8 - Bíblia NVT  Ouça 🎶  Canção para Pedro - Vencedores por Cristo Foto: Oliveiras em Mendoza 03/2018

Presente de aniversário

Faz parte de um ritual particular, no dia do meu aniversário, eu buscar em mim palavras que expressem minha alegria e gratidão. Faz parte eu acordar preguiçosa, curtir a cama e  auto celebrar um dia que é meu. Faz parte eu ser abraçada pelo meu marido, sussurrando no meu ouvido: "Feliz aniversário, meu amor". Faz parte a expectativa do abraço dos meus filhos, da minha família. Faz parte eu passar o dia pensando naquele momento, à noite, em que reunimos a família, simplesmente a família, para comer esfirras e quibinhos do kiberama, e partirmos um bolo depois. Faz parte eu me permitir ficar meio a toa durante o dia. Faz parte eu checar os parabéns no Instagram e nos grupos de WhatsApp.  Faz parte postar um story falando do meu dia. Faz parte eu curtir calma, serena e silenciosa - ao melhor "estilo Ellen de ser".  Mas esse ano foi diferente. 25 de novembro 23h30. Somos surpreendidos: a bolsa da Gigi estourou! Meu netinho, que ia chegar apenas em 8 de dezembro, ao que p...

Se eu soubesse

"Se eu soubesse contar infinitos" ... Tudo seria diferente? O sofrimento seria evitável? Não teríamos erros a computar? O caminho seria plano E nossos planos seriam retos E retas seriam nossas ações? Não haveria o choro da decepção? A dor da rejeição? O som estrondoso do silêncio?   "Se eu soubesse contar infinitos" ... Como seria esse universo chamado Vida? Não haveria o oco do abandono? O medo do incerto? A inércia que vem da incerteza? Nossa fala seria sempre assertiva E assertiva seria a expressão do nosso amor? Nosso mundo redondo seria apenas de risos e gentileza, De coloridos, luz e música?   "Se eu soubesse contar infinitos" ... Mas eu não sei. Ninguém sabe.   Tereza passou uma vida inteira absorta em seus círculos, tentando exprimir na sua arte, aquilo que na vida era impossível: a previsibilidade reconfortante, o conhecimento pleno das coisas, a justiça soberana em todas as esferas da vida. Círcul...

A pombinha

Choveu esta manhã. Fui para o escritório e trabalhei embalada ao som da água caindo lá fora. Olhei para a sacada e vi a pombinha lá, andando de um lado para o outro, toda molhada, vez por outra chacoalhando as suas asas para se livrar do peso da água. É preciso dizer, ela é uma visitante ilustre que todo dia vem dar o “ar da graça”, tão perfeita, toda branquinha com o seu rabinho de leque, verdadeira obra de arte do Deus criador. Aliás, costumo dizer que quando ela aparece é Deus vindo me dar bom dia, encarnado na sua criação. Mas hoje, ao olhar para ela ali debaixo da chuva, senti o ímpeto de protegê-la, e comecei a pensar como eu poderia fazer um abrigo ali, para ela. Cada vez que eu a olhava andando de lá para cá, meu coração apertava, eu queria protegê-la, a “minha pombinha". E quanto mais meu coração apertava, mais eu ia ganhando consciência de que eu não deveria fazer nada. Ela sabe se virar, ela tem para onde ir, seu instinto lhe diz o que fazer. Foi assim que o...

O sono da manhã

"Hoje eu dormi no colo da vovó, o soninho da manhã. Vovó ficou olhando pra mim e fez cafuné na minha cabeça. O que será que ela estava pensando..." ___________________ Laurinha, esta manhã você adormeceu em meus braços. O seu sono veio fácil. Então, sentei na cama com você em meu colo, admirando esse rostinho tão bem feito, fiz um cafuné na sua cabecinha e dei beijinhos na sua testa. Pensei: um ano se passou e você cresceu, meu amorzinho! Já está quase andando, falando os seus "bá-bá-bá; ui-ui-ui; mamá", apontando seu dedinho curioso para todas as coisas e se deslumbrando com tudo aquilo que os seus olhinhos vêem!!!  Você sorri para a luz, hipnotizada com seu brilho; Você sorri para o "Godofredo" toda vez que vai no quarto da vovó (Godofredo = ar condicionado); Você sorri para o quadro de espelho na sala, como se ele fosse uma pessoa!  Você se encanta com o "tupitoi" (tupitoi = interruptor do quarto) e fica pressionando o dedinho tentando acende...

Conectadas

Sábado, 19/07/2025, encontro 19 do  Book Lovers . Diva, 81 anos (fico sabendo depois) se aproxima, olha em meus olhos e diz que gostou muito das coisas que escrevi. Sempre me emociono e me surpreendo quando o que escrevo encontra eco no outro. Me senti abraçada. Não um abraço meramente formal, mas um abraço emblemático, carregado de significado. É o abraço da "gran mère" que me desafia a "ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem". Sim, me lembrou aquele livrinho precioso de Clarissa Pinkola Estes: Ciranda das mulheres sábias . E não foi exatamente isso o que aconteceu no encontro do Book Lovers deste sábado? Uma grande ciranda de mulheres sábias compartilhando vida. Que potência! E, no entanto, quanta ternura!  Enquanto eu ouvia atentamente cada pronunciamento nessa conexão mágica de gerações, de mulheres mais jovens e mulheres mais velhas que se escutam, se acolhem, se amparam e se olham nos olhos, eu ia me sentindo cada vez mais na "pequena casa ...

Olá, querida

Olá, querida! Não. Não me refiro a uma saudação. Refiro-me ao livro de Ann Napolitano, “Olá, querida”. Foi a nossa proposta de leitura do Clube do Livro este mês. Devorei a leitura, como sempre, quando um livro me envolve e me joga para dentro das suas páginas. Agora, orfã da leitura e com saudade das personagens, fui procurar o filme Adoráveis mulheres, baseado no livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, publicado em 1868. Isto porque no Olá, querida, as irmãs Padavano têm nas irmãs de Mulherzinhas uma referência, uma bússola existencial delas próprias. Então pensei: vou ler Mulherzinhas também. E comecei, mas desisti. Desisti não porque não tenha gostado do livro, mas porque senti que estava ficando saturada do universo das personagens, e eu não queria isso. Resolvi me afastar. Mas ainda havia muito tempo para o próximo encontro do clube, então pensei: o que faço enquanto isso? O que vou ler agora? Abri meu Kindle e escolhi aleatoriamente Machado de Assis: Helena, Pu...